Domingo _ 25:: ONDE ATERRAR

 

Domingo _ 25:: ONDE ATERRAR, Hal Hartley, M/12, 75'
Com Jennifer Stepanyk , Robert John Burke , Gia Crovatin , Bill Sage

Joe Fulton (Bill Sage), realizador famoso já reformado, decide preencher a vaga de ajudante de jardineiro no cemitério local para ocupar o tempo e estar mais ao ar livre. Essa decisão inusitada, aliada às suas constantes reflexões sobre a morte e à redacção de um testamento, leva as pessoas que o amam a suspeitarem de que terá recebido o diagnóstico de uma doença terminal. A preocupação transforma-se em rumor e, rapidamente, passa a ser tomada como facto, levando amigos, familiares e conhecidos a prepararem-se para uma despedida antecipada.
Com argumento, produção e realização de Hal Hartley, este drama explora o luto antecipado e a inquietação humana perante a ideia da morte.



Hal Hartley, uma das lendas do cinema independente dos EUA, realiza uma fina, espirituosa e económica comédia de equívocos nova-iorquina.
Hal Hartley não fazia um filme deste Ned Rifle, de 2014, e este Onde Aterrar é uma fina, espirituosa e económica comédia de equívocos nova-iorquina, em que Bill Sage interpreta Joe Fulton, um famoso realizador de comédias românticas que está semi-reformado e decide ir trabalhar no cemitério da igreja próxima de sua casa, para dar ocupação às mãos ao ar livre, bem como fazer o testamento. A namorada, os familiares e os amigos julgam então que ele vai morrer, e a confusão instala-se. Em apenas 75 minutos, com uma câmara digital e meios exíguos (parte da fita foi rodada na sua casa em Nova Iorque), sentido de humor e veia irónica, e recorrendo a actores velhos conhecidos da sua filmografia, Hartley, uma das lendas do cinema independente dos EUA, diz mais, e de forma despretensiosa, sobre o sentido da existência, a morte, a religião, as perspectivas de futuro da humanidade e do cinema (irá tudo parar à Netflix?) e as peculiaridades das relações familiares e sentimentais, do que outros cineastas em duas horas ou mais (até ficamos a saber a melhor e mais rápida forma de tirar sacos de plástico presos nos ramos das árvores). Não se esquecendo de gozar com uma certa elite bem-pensante urbana americana, com os autores de livros “sérios” e presunçosos sobre figuras do cinema como ele, e com a omnipresença das séries de televisão para as plataformas de streaming.

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